Abaixo assinado
Os cidadãos e as cidadãs abaixo-assinados, vêm por este meio apresentar a sua total discordância e perplexidade perante a decisão do governo de proibir a entrada em Portugal do barco da Women on Waves, que pretendia atracar no porto da Figueira da Foz, no âmbito de um projecto visando a defesa da saúde sexual e reprodutiva das mulheres, do direito à escolha responsável e da defesa da descriminalização do aborto.
Os
argumentos apresentados pelo governo são incompreensíveis quer à luz da lei
nacional, comunitária e internacional, quer à luz das normas democráticas e
cívicas que implicam a participação dos cidadãos e das cidadãs, das suas
organizações autónomas, a livre expressão de opiniões e o debate construtivo,
neste caso em torno de problemas muito reais.
Quer a
Women on Waves, quer as organizações portuguesas, reafirmaram por diversas
vezes que a lei portuguesa nunca seria infringida e não existem motivos para
não acreditar em tal; aliás, o Governo Português dispunha e dispõe de todos os
meios e instrumentos para verificar se tal correspondia à realidade.
Este barco
já desenvolveu o mesmo tipo de acção em dois países da União Europeia e nenhum
proibiu a sua entrada, pese embora a situação de criminalização do aborto
existir também nestes países (Irlanda e Polónia).
Portugal é
o único país da União Europeia que leva mulheres a tribunal por terem realizado
um aborto; passará agora a ser também o único país que impede a livre actuação
de organizações cívicas.
Refutamos
completamente os argumentos apresentados pelo Governo, de que esta iniciativa
poria em causa a saúde pública e reafirmamos o seu carácter hipócrita. Saúde
pública em causa é a situação que existe hoje, são as teias do aborto
clandestino.
Reafirmamos
a nossa vontade de prosseguir todas as iniciativas que levem à alteração de uma
lei injusta, penalizadora das mulheres e hipócrita que é vergonha nacional.
Apelamos a
todos os cidadãos e cidadãs, independentemente das suas convicções pessoais
sobre a realização do aborto, mas que querem viver num país onde as mulheres
não sejam penalizadas, onde o respeito pelas escolhas de cada mulher e cada
família sejam respeitadas, onde a dignidade seja um valor concreto e a educação
sexual, o planeamento familiar e o acesso generalizado à contracepção sejam um
direito de todas e todos, para que manifestem o seu repúdio por esta decisão do
governo e o seu apoio à alteração da actual lei sobre a interrupção voluntária
da gravidez. Apelam ainda aos órgãos de soberania para que se pronunciem sobre
esta decisão.
29 de Agosto de 2004
Para subscrever este abaixo assinado envie até
às 24:00 de 31 de Agosto (terça-feira) um email para clubesafo@clubesafo.com com assunto
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