
EDITORIAL
2 horas da manhã de terça, as gatas dormem sossegadas no sofá, a música é de Lula Pena e nós continuamos a organizar ideias, a escrever, a rever acontecimentos; sabemos que mesmo que não nos leiam esperam-nos na próxima entrega do correio. É bom poder contar com algo certo.
Passaram-se trinta encontros do clube, vinte e quatro números da Zona Livre, cinco acampamentos de Verão, outras tantas festas, discussões, e largas horas de trabalho voluntário de todas nós, que acreditamos que pela LIBERDADE DE SER, ainda vale a pena “espernear”! E é mesmo desse trabalho voluntário que vos quero falar __ o Clube Safo está de Parabéns, pois cada vez mais temos mulheres que se chegam a este projecto e fazem dele seu, tendo a seu cargo tarefas específicas que desenvolvem, como nós nas horas vagas do dia a dia.
O trabalho voluntário, muitas vezes anónimo, não deixa de ser uma das coisas mais fantásticas que alguém pode fazer por outro alguém, pois carece apenas de vontade e motivação própria, e não espera (ou espera?) grandes recompensas. No entanto, queremos dizer que são as palavras, os telefonemas, as cartas, as fotos, as críticas, os desabafos, as alegrias e os choros, que é o trabalho voluntário, o motor disto a que chamamos com orgulho Clube Safo.
O tema deste número “DISCRIMINAÇÕES”, foi escolhido com o propósito de uma reflexão mais profunda sobre um assunto que tanto nos incomoda mas que constantemente praticamos, mesmo por vezes não tendo consciência disso. Discriminar, acto de diferenciar, distinguir, separar, discernir, apartar-se(...), começamos por dar nomes às coisas para não as confundir com outras e acabamos muitas vezes a excluí-las por nunca chegar a entendê-las (?) O debate sobre este tema, que será sempre incompleto, terá lugar no Acampamento de Verão, onde esperamos ver-te este ano.
Nesta Zona Livre ainda poderás ver e ler a reportagem dos últimos acontecimentos; os ânimos entre associações tem andado exaltados, a Semana do Orgulho poderia ter sido mais feliz, mas da marcha saíram fotos reveladoras do entusiasmo vivido pel@s presentes; alguns artigos sobre a Discriminação sentida e vivida por mulheres lésbicas e uma entrevista que revela que Dar a Cara é um acto de força e de partilha.
...mais,
não se esqueçam de renovar a inscrição de sócia. Em Setembro começamos um novo ano!
encontramo-nos no acampamento, que estará recheado de actividades descontraídas, de bom humor, cercado por muita água e muito verde e onde poderemos falar sobre tudo o que nos chateia, exemplo: Porque é que a nossa mulher não quer fazer sexo anal?
Um grande abraço para todas e até lá.
Tragam o livro de poesia!
E muitas amigas!
Discriminações no seio da família
Por Guida
A discriminação no seio da família foi sempre a que mais me preocupou, não só porque a sofri na pele ao longo de toda a minha existência mas também porque considero que ela é o ponto de partida para todas as outras discriminações que sentimos socialmente. O facto de nascermos mulheres coloca-nos logo determinados limites que se repercutirão ao longo de toda a nossa vida. É o cor de rosa com que nos vestem, são as bonecas onde se incluem as famosas Barbies e com as quais brincamos às mamãs e aos papás, são os trabalhos domésticos que nos são destinados, as atitudes passivas que esperam de nós, enfim... Será que, pelo facto de sermos meninas gostamos mesmo mais de bonecas?! Ou gostamos é daquilo que nos dão e que é normal que todas as meninas gostem? Eu não tenho dúvidas! Quem é que tem por hábito oferecer carrinhos às meninas e bonecas aos meninos? Provavelmente poucas de nós! As razões estão à vista: o que diriam os pais?! E o que diria a criança que desde o berço lida com coisas para menina e coisas para menino?! E as meninas que preferem coisas de menino?! São as Maria-rapaz, não é?! E os meninos que preferem coisas de menina?! São os mariquinhas, como todas nós sabemos e ouvimos constantemente no nosso dia a dia. Bom, assim vai o mundo e as ameaças de mudança são frequentemente apenas isso: ameaças.
Há depois o outro lado da moeda que está nas nossas cabeças já “bem feitas” pela sociedade, isto é, a maneira como encaramos as discriminações de que somos vítimas. Há aquelas que consideram normal o facto de serem os homens a conduzir o carro da família e a mulher ir ao lado, de serem as mulheres a realizar os trabalhos domésticos e os homens os trabalhos de bricolage e eléctricos, de serem as mulheres a faltar ao trabalho para irem com os filhos ao médico ou às reuniões da escola, de serem as mulheres a cuidar dos pais e sogros idosos, etc, e há aquelas que, como eu, ficam com os cabelos em pé só de pensar nessas imposições ditas socialmente normais. Deixo aqui uma pergunta que me intrigou sempre, até porque todas nós temos homens na família: Qual destas mulheres será mais feliz? A que ignora as discriminações de que é alvo (sem sequer as considerar discriminações) e vive a sua vida calmamente, sem grandes ondas, acatando o papel que lhe foi destinado? Ou a que se revolta com tudo, queima os miolos a pensar em estratégias e soluções, gasta o seu latim em vão e acaba com uma úlcera nervosa no estômago? Pensem nisso!!!
SEMANA DO ORGULHO
LÉSBICO GAY BI & TRANGENDER
23 a 30 Junho Lisboa
7 a 14 Julho Porto
Duas Semanas Muito Polémicas
BREVE CRONOLOGIA PRÉVIA
17.Out.2000 – 1ª Reunião de preparação do Pride2001
Presentes 32 pessoas, a título individual ou representando associações: ILGA Portugal, GTH-PSR, Clube Safo, Opus Gay (Lisboa), Opus Gay (Norte), GOG (Grupo Oeste Gay), o grupo NÓS informou que não podia estar presente.
Os sites GLSMIX e PortugalGay enviaram à ILGA Portugal e-mails a manifestar o seu interesse em serem convocados para estas reuniões. Foi acordado assim seria feito.
Foi definida a data da semana de Lisboa de 23 a 30 de Junho e acordado que ela se estenderia ao Porto em data a fixar. Formaram-se grupos de trabalho e marcou-se a próxima reunião nacional para o dia 25 de Novembro seguinte, também no Centro Comunitário.
25.Nov.2000 – 2ª Reunião Nacional da Coordenadora
Associações presentes: ILGA Portugal, GTH-PSR, Clube Safo, Opus Gay (Lisboa), Opus Gay (Norte), GOG, o site PortugalGay, nas pessoas de João Paulo e Filipe.
Tendo reunido anteriormente os grupos de trabalho, foram propostas iniciativas para a Semana do Orgulho de Lisboa e acordou-se a data de 7 a 14 de Julho para a semana do Orgulho do Porto. Foi decidida a realização de uma Festa Pride, à noite, no Café da Praça (no Porto), com o envolvimento dos bares gay da cidade; foi ainda estabelecido que o PortugalGay sustentaria a abertura de uma página oficial da semana e que a produção de material de divulgação deveria ser concertada de molde a englobar materiais conjuntos para Lisboa e Porto.
17.Fev.2001
A Associação Opus Gay retira-se da organização da Semana.
31.Mar.2001 – 3ª Reunião Nacional da Coordenadora
Presentes: GTH-PSR, Clube Safo, PortugalGay, Grupo de Mulheres da ILGA e GIRL/ILGA.
Nesta Reunião estabeleceu-se que, dos cartazes elaborados com o patrocínio da C.M. Lisboa e da C.M. Porto, constariam as actividades da Semana do Orgulho a realizar nas duas cidades.
A estas seguiram-se outras reuniões onde se definiram aspectos mais específicos da organização dos diversos eventos agendados. Na reunião de 16 de Junho seguinte estabeleceu-se o lema da Marcha deste ano - “2001 Homofobia para o Espaço“ – na sequência da ideia apresentada por elementos do GOG.
GRANDES DESVIOS PARA CHEGAR ONDE QUERO
Chegámos à Semana propriamente dita. Não sem a sombra da recusa de cedência do espaços Clérigos Shopping, pelo mui honoris Belmiro de Azevedo, do quase omnipresente Grupo SONAE, alegadamente incomodado pela presença de espécimes raras no seu “respeitável“ espaço.
A 23 de Junho, um Sábado de Sol, os interesses convergem para a magnificamente recuperada e ampliada exposição “Olhares (d)a Homossexualidade” que se inaugurava no Padrão dos Descobrimentos. A vereadora do pelouro da cultura da C.M. Lisboa inaugurou a exposição que se espera venha a percorrer o país.
Foi este o momento de arranque das iniciativas culturais e lúdicas da semana que viriam a decorrer com animação, alegria e muita participação.
A 27 de Junho realizou-se uma Conferência de Imprensa no Porto. Objectivo: denunciar a recusa da cedência, pelo Grupo SONAE, do Clérigos Shopping, mesmo após o pedido feito através da Associação ABRAÇO, na pessoa de Miguel Rodrigues Pereira, em carta de 13.06.2001. A posição da Organização da Semana foi exposta por João Paulo, do PORTUGAL GAY. O Clube Safo não esteve presente nesta Conferência de Imprensa porque, simplesmente, não se pode estar em todas.
28.Jun.2001—12h, Largo Camões, Lisboa
Representantes da ILGA Portugal, GTH/PSR, NÓS, Clube Safo e PortugalGay (sim, PORTUGAL GAY!), apresentaram à comunicação social, em conferência de imprensa, o manifesto da Semana do Orgulho 2001 elaborados por estas organizações e pelo GOG e Grupo Lilás. Falou-se do significado da Semana do Orgulho, das polémicas sobre o Pride do Porto e das implicações da recentemente aprovada Lei das Uniões de Facto.
Tudo correu bem, as reportagens foram correctas e simpáticas, as subscrições do manifesto continuavam a aumentar... Lindo.
30.Jun.2001 O grande dia, em Lisboa
17H, Jardim do Príncipe Real. Televisões, jornais, rádios, gente, cartazes e faixas, um padre católico, crianças, muitas, muitas mulheres, cães, pins do arco íris e mais gente. Vamos. Pouca alegria, poucos gritos, quase a correr, falta de organização...
Os cartazes diziam muito: “Somos diferentes, e depois?”, “Estamos em toda a parte. Habituem-se!”, “As leis ajudam, mas não mudam mentalidades”, “Inseminação artificial para lésbicas”, “Contra a discriminação, a visibilidade”, “Ama quem quiseres”, “Uma lei já está, faltam mil”... Mas a Marcha chega à Praça do Município sem um orgasmo. Não há um fim, uma mensagem, um discurso, um clímax. Abandonam-se os cartazes, junto ao Trono de Stº António.
À noite, a festa. Associações, bares, lojas; todas e todos. Ou não... O Grupo Lilás, nem vê-lo, mais uma vez, mas a Opus Gay estava presente.
Muita gente, bebidas giras na nossa banca, animação. Música altíssima, pum-pum, pum-pum, shows de travestis no palco, muita gente, muitas cores, boa disposição. Música insuportável; a festa não pode ser só para alguns nem impedir a conversa.
As mulheres são incríveis, nós somos incríveis, lindas. A tenda do Clube Safo foi das mais animadas; foram centenas as mulheres (e homens também) que por lá passaram, muitas as que trabalharam, antes e durante a noite. As tartes, as sandes, as empadas, as agendas, os pins, os panfletos, as bebidas, os fios, o gelo, os postais, a bola de carne, os enfeites, as luzes, as t-shirts, as giras... Tudo se conjugou para um ambiente fantástico. Adoro-nos!! Isto é que é festa, alegria, ser com orgulho e atitude!
No ano passado, pela primeira vez, num acto simbólico de abertura e colaboração, a ILGA Portugal, histórica organizadora do Arraial Gay, convidou todas as associações participantes na organização da Semana do Orgulho a subir ao palco.
Este ano repetiu-se o feito, sendo convidada também a Opus Gay que se tinha afastado da organização da Semana. Subiram então ao palco José Manuel Fernandes, presidente da ILGA Portugal, Fabíola Neto Cardoso, representante do Clube Safo, Simão Mateus, do GOG, João Paulo, do PortugalGay e António Serzedelo, presidente da Opus Gay.
O GTH/PSR não concordou com a presença da Opus Gay em palco, devido à sua não participação na organização da semana e às declarações do seu presidente, aos jornais, onde afirmava “não querer ser conotado com o PSR“, e abandonou o Arraial.
A festa foi diminuindo em qualidade à medida que a música aumentava de ritmo e volume.
Toca a desmontar, foi bom, até para o ano.
É AGORA
7.Jul.2001
Organizou-se a pequena comitiva rumo ao Porto, encontrámo-nos com quem vinha do Norte junto ao Douro e após alguns petiscos dirigimo-nos ao barco atracado no Cais do Gás, onde era suposto realizar-se o Porto Pride 2001.
Entrar, entrámos. Vimos as vistas, cumprimentámos as amigas, observámos a montagem da banca da Abraço... e fomos atingidas por um raio! “Quem não é da organização, quem não tem livre trânsito, pode sair. A festa começa às 10” __ dizia João Paulo, do PortugalGay. “Nós não temos livre trânsito, mas somos da organização” __ ripostámos. O senhor de tronco nu aproxima-se de dedo em riste: “As senhoras de onde são? São do Safo não é?” O ataque de amnésia súbita de quem connosco participou na organização da Semana do Orgulho só não provocou exclamações de espanto porque foi seguida por uma conversa absolutamente surreal: “Não, não são da organização. O que se está a passar aqui é uma organização do PortugalGay e dos bares gays do Porto; não tem nada a ver com a Semana do Orgulho“. E os cartazes conjuntos, as reuniões, a conferência de imprensa de 28 Junho, o manifesto comum, todo o trabalho que desde Outubro (há nove messes portanto) vínhamos a desenvolver??????
“Podem ir tomar um café, a festa começa às 10 e depois, se quiserem, podem entrar como outra pessoa qualquer”. A fúria e a indignação quase nos toldam o raciocínio e a capacidade de resposta. Que fazer perante tal atitude? “A única organização que estará presente será a Abraço, que nos ajudou” __ afirma ainda.
Não temos nada contra a presença e a participação da Abraço. Temos sim, e muito, contra o estarmos a ser formalmente expulsas, enquanto Clube Safo e não a título individual note-se, de um evento para a organização do qual podemos não ter trabalhado directamente, mas para o qual trabalhamos durante quase um ano, demos a cara e o nome, o apoio e o trabalho de anos anteriores. A realização desta festa não foi possível devido só ao trabalho do PortugalGay, nem aos interesses económicos dos bares gay do Porto; resultou também de todo um trabalho que desde há anos tem vindo a ser desenvolvido por várias associações, entre as quais o Clube Safo.
Mas o senhor João Paulo assim não entendeu e nós saímos depois de ouvir (já em gritos) “Mas afinal o que é que vocês querem? Passes? Eu arranjo-vos os passes”. Não queríamos passes, teríamos de bom grado dado os 1000$ de entrada e pago colas cervejas e sandes a 500$, para contribuir para mudar mentalidades, abrir espaços de liberdade livres de preconceitos a Norte.
Ainda antes de sair tivemos a sorte de apanhar no caminho outro “organizador“ Miguel Rodrigues Pereira, dirigente da Abraço, que nos informou que não tínhamos nada que estar ali, ele sim tinha esse “privilégio“ porque tinha estado, afirmou, na conferência de imprensa de 27 de Junho. Que pena estarmos tão socialmente condicionadas, porque sobre a presunção deste senhor, a sua atitude e a de quem lhe deu foral, muitos e cabeludos palavrões haveria a dizer.
E DEPOIS?
Saímos e conversamos com quem estava cá fora, já que o resto da nossa malta e elementos do NÓS e do GTH-PSR não se encontravam presentes no momento em que mulheres do Clube Safo e do Grupo de Mulheres da Ilga foram expulsas do barco da festa.
Que fazer? Boicotar o acesso ao barco e à festa? Informar os jornalistas que iam chegando sobre o que se estava a passar? Tentar manter as aparências e fazer parte do que lá tínhamos ido fazer: distribuir manifestos (os tais comuns!), informações sobre as uniões de facto, programas da Semana e panfletos de divulgação do clube? Esconder o sucedido aos jornalistas? Ignorar tudo e ir embora? Pagar os 1000$ e entrar “como qualquer outra pessoa“?
Qual seria a tua reacção perante a usurpação do trabalho de tod@s, por uns fulanos que até há dias te falavam lindamente e agora se te dirigem com o epíteto de Sr.ª Dr.ª e ar de desprezo?
Como não fazer perigar o resto da Semana que iria decorrer?
Que atitude perante o despotismo e a tirania de alguém que antes se dizia militante de um “movimento social (...) que publicamente e às claras (... )insiste numa causa (...) por direitos e mudanças que (...) beneficiam (...) toda a população” e que agora se nega a reconhecer os outros grupos e associações que trabalharam para o mesmo fim?
Decidimos ficar, distribuir a informação e dar aos jornalistas uma ideia positiva sobre a 1ª Semana do Orgulho no Porto. Nesse sentido, e dada a impossibilidade de esconder ou negar o óbvio (afinal nós estávamos cá fora e eles lá dentro!), tentamos ser comedidos nas declarações prestadas, referindo a importância do evento para o Norte e a existência de outras actividades programadas para a semana que se seguiria. Quando isso se tornou impossível optámos por abandonar o local para não sermos obrigadas a declarar que não tínhamos nada a declarar sobre o que ali se passava.
Frustradas, desiludidas, enregeladas, fomos gastar os mil paus da discórdia para um local mais friendly. Já passava da uma da manhã.
Depois os jornais e as televisões contaram várias versões da mesma história.
Para quem viu a SIC, no dia 8, o Porto Pride 2001 era “só uma festa e não uma reivindicação”, um evento para “toda a gente que trabalha normalmente com a comunidade gay do Porto”, nas palavras do “organizador” e dirigente da Abraço, Miguel Pereira. João Paulo reitera :“apenas estamos a fazer uma festa, não tem nada de mais...”
Qual celebração da diferença, qual objectivos sociais ou políticos, qual “toda a gente”, qual evento contra a homofobia nortenha... Nos jornais nós aparecemos como aquelas fulanas (e fulanos) que vieram de Lisboa para entrar à pala e chular o esforço do pessoal do Norte, carago! Ou como sintetizou Filipe do PortugalGay, nas páginas do Jornal de Notícias, “A Semana do Orgulho não tem nada a ver com esta festa, que é patrocinada por alguns bares do Porto. Não deviam queixar-se, porque a alternativa seria não haver festa”.
Mas queixamo-nos. Não pelo pagamento da entrada mas pelo facto de termos sido expulsas de uma iniciativa que, pensávamos, também era nossa. Se queriam fazer uma festinha quase privada tinham toda a legitimidade para o fazer, não podiam era andar a enganar toda a gente durante meses a fio, a participar de uma estrutura organizativa que não quer ser confundida com uma produtora de eventos musicais.
E AGORA?
Agora esperamos.
Esperamos uma improvável explicação, que não um momento de descontrole repentino, porque não foram dez minutos, estivemos ali mais de quatro horas, disponíveis para qualquer esclarecimento.
Esperamos para ver a reacção das outras associações e grupos, nomeadamente da ILGA-Portugal que não soube de nada durante dois dias e da Opus Gay, cujo presidente entrou na festa nessa noite (após ter sido informado do que se tinha passado), distribuiu informação e... mais nada, até hoje.
Esperamos um pedido de desculpas público ao Clube Safo e às outras organizações presentes, feito pelo PortugalGay.
Esperamos que o ressentimento passe e que sejamos capazes, se decidirmos continuar a participar nestas iniciativas, de escolher melhor com quem trabalhamos.
Esperamos saber qual a tua opinião sobre tudo isto.
Esperamos que possas estar presente no dia 28 Julho, no acampamento onde debateremos estes e outros assuntos.
Não esperes para nos fazer chegar a tua opinião.
Fabíola Neto Cardoso